“Vale a pena?” ou “Motivos pelos quais a lei seca vai esmagar nosso espírito”

 

A reação em cadeia:

       

vAcabou a cerveja no final da tarde, depois de um longo dia de trabalho…

vAs pessoas vão parar de sair tanto, passando a chamar os amigos para beber em casa.

vOs amigos vão parar de beber na casa de seus amigos (meu deus) porque não podem ir embora dirigindo.

vTodos vão esquecer dos amigos e passarão a beber sozinhos, em suas respectivas casas.

vEm depressão profunda, devido à falta de contato humano, as pessoas passarão a beber bem mais do que o que costumavam (e sem esquecer de que todos estarão sozinhos, em suas respectivas casas).

vMuitos irão para o AA em tentativas de acabar com o vício que passou a destruir suas vidas (toque dramático).

vOs que conseguirem parar de beber vão se trancar em casa (ainda mais!) e passarão a alugar filmes ao invés de ir ao cinema, começarão a ver Ophra, a dizer que McCain é um cara legal e Bush não é tão ruim assim (também não é para tanto…).

vO fabricante de pipocas de microondas ficará feliz.

vTodos engordarão (nossa! Viramos os humanos de WALL-E!)

vA moda dos chats de bate papo voltará!!! (essa é a pior)

vDe repente nós nos transformamos em algum país nórdico (!), ou no Canadá (!).

vUm robozinho que recolhe o lixo da rua será o único a sair de casa (de repente estamos em um filme da Pixar! For the love of god!).

vOs que não desistirem de beber… bem, nessa eu ainda tenho que ver o que acontece… 

     Descobri!!! Gastaremos nossas economias com taxi, enquanto repetimos um mantra para nós mesmos: “é por uma boa cousa, é por uma boa causa…” 

Publicado em:  on Julho 2, 2008 at 1:58 pm Comentários (4)

Coisas para se fazer em uma aldeia indígena quando você está perdido

Eu estava perdida. Sentia-me uma americana retardada, com calças cáqui e capa de chuva ridícula, uma cyber shot na mão e nenhuma idéia na cabeça. Andava pelas ruas enlameadas sem saber para onde ir ou olhar, tudo era diferente ao mesmo tempo em que não. Eu que era diferente lá. Nunca me senti mais como um peixinho fora d’água.

Também, o que eu pensei que fosse acontecer? Imaginava que ia chegar e ser recebida por lindas índias com pinturas pelos corpos, que colocariam colares no meu pescoço e falariam apenas guarani enquanto os homens, fortes e guerreiros, dançavam em volta de uma fogueira para chamar a chuva? Nãaaao! Eu sabia o que me esperava! E por que raios eles chamariam chuva se já estava chovendo (e fazia um frio do cão, por sinal)?

Meu problema era outro. Eu me senti uma turista safada por que:

1- Todo o povo da cidade desceu do busão metendo as lentes nas caras dos índios, e os índios nem ligavam. O problema então era que eu ligava!

2- Se eu não conseguia tirar fotos então o que eu iria fazer em uma (diga-se de passagem) EXPEDIÇÃO FOTOGRÁFICA!?

Depois de muito questionar os deuses indígenas sobre o que fazer, decidi por andar sem rumo (isso que é decisão). Acabei me interessando mais por conhecer os índios e trocar umas idéias, tomar um chimarrão e provar um fumo de corda na frente de uma fogueira quentinha…

Aí as coisas foram melhorando. Eu até consegui tirar umas fotos e aprendi umas coisinhas(10, para ser mais exato).

10 coisas que aprendi na aldeia:

1-     Não ame seu ratinho branco (com olhos vermelhos) de estimação, senão ele morre.

2-     Se você não amar seu ratinho de laboratório de estimação ele vai te morder toda hora.

3-     Acenda fogueiras nos cemitérios à noite. Os mortos também sentem frio.

4-     Os índios só falam quando tão afim. Na maioria das vezes são muito quietos; os mais velhos então…

5-     As crianças guarani são todas hiper-ativas. Cuidado com as que lutam artes marciais (Bruce Lee).

6-     Não use all star na lama (essa aí todo mundo sabia).

7-     Não deixe ninguém tirar uma foto sua na aldeia, na lama, de capa de chuva, com cara de cansado, com fome, com frio, com uma câmera pendurada no pescoço (sim, vai sair exatamente como você está pensando: quase a Gisele).

8-     Se você tem uma amiga chamada Bia, que foi junto com você na aldeia, é batata: vocês vão tirar fotos das mesmas coisas.

9-     Se a Bia for andar pela aldeia, vá com ela que você ganha feijão.

10- Se você quiser dar um golinho no chimarrão de um índio dê, mas com a certeza de que você gosta de chimarrão. O gentil fornecedor vai fazer você tomar uma cunha inteira (e foi assim que eu aprendi a gostar de chimarrão, THE END).

 

Publicado em:  on Junho 24, 2008 at 2:57 pm Comentários (1)

This boots were made for walking

Depois de ver um porquinho, ou melhor, porquinha que tem fobia da lama, acho que posso ver qualquer coisa.

 

 

Essa aí é a Cinderella, de seis semanas. Desde que era bebê (o que não faz muito tempo), Cind se recusou a brincar na lama com os priminhos durante os picnics de família. Ela era a vergonha de seus pais e irmãos. Até que um belo dia, na sessão de terapia para adolescentes rebeldes, foi diagnosticada com misofobia (medo de sujeira).

Convenhamos que a porquinha é chique e enganou a todos com seu suposto “medo de sujeira” só porque ela queria ganhar umas galochinhas e ficar na moda. Imagino que as da foto sejam Burberry feitas sob medida.

 

Olhem só o título dessa notícia num jornal inglês: Lady muck: Pig in boots is hot to trot (peloamordosmeusfilhinhoselicoimbra!)

 

Eu só acredito que ela realmente usa botas porque os ingleses são um povo muito excêntrico e se fosse para acontecer algo assim tinha que ser para lá do Atlântico mesmo (e porque eu vi um vídeo). Aqui ela virava salsicha! Mas ia ser a salsicha mais limpinha que você já comeu na sua vida! Senão a única limpa….

Publicado em:  on Junho 12, 2008 at 7:33 pm Comentários (3)

Medo Brasil

Olá enfermeiros!

Meu amigo e agente, Marcolino, está em um clima de derrubar barreiras mentais e escalar muros pessoais, ou seja, ele tá dando uma de psicólogo para cima de moi e eu tenho que escrever alguma coisa aqui antes que ele se arrependa de ter me ajudado.

Como esse é meu primeiro texto aqui, decidi não fazer nada muito legal para que ninguém fique com esperanças de que eu seja a nova infant terrible da literatura latino americana. Nada de escovar o cabelo 100 vezes antes de dormir ou seja lá o que; nada de vender roupas e virar vj da MTV. Isso aqui é puro ouro não-sensacionalista, cheio de existencialismo barato e uso de ditados toscos.

Medo Brasil!

Publicado em:  on at 2:00 pm Comentários (2)
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