W.

 

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George Bush está em um bar, rodeado por jovens mulheres de procedência estranha, bebendo cerveja por um funil, brigando de punhos cerrados com seu papai, former president Bush, enquanto escuta poucas e boas do coroa. Não, ele não se rendeu à decadência moral devido a mandingas mundiais. Ele era assim. Pelo menos de acordo com o novo filme de Oliver Stone, W. Essas são cenas do teaser do filme, que promete estrear em outubro nos EUA, o que quer dizer que chegará aqui mais ou menos durante a copa da África do Sul.

É engraçado como ultimamente pareço estar sendo instigada por forças “divinas” a pensar muito sobre essas eleições norte-americanas. Em todo lugar que olho, todo jornal que leio, todo canal que assisto, lá estão eles, a novela do momento: Democratas x Republicanos.

Percebi o quanto é importante para os norte-americanos a vida pessoal e familiar dos candidatos. Como verdadeiras celebs, pior do que os gêmeos de Brad e Angelina, os candidatos são seguidos por paparazzis e têm seus passados mais revirados do que panquecas quentinhas.

A nova moda agora, com a Convenção Democrata a todo vapor, é arranjar pêlo no ovo de Obama. Ele é o alvo perfeito: o novo J.F. Kennedy, jovem e boa pinta, negro e chamado Hussein. Foi até lançada uma biografia, não-autorizada, primeiro lugar em vendas nos EUA, a qual alega que Obama é muçulmano (o mesmo que terrorista na matemática norte-americana), filho de um alcoólatra e suicida e de uma mulher que prefere casar com homens de etnias “suspeitas” (negros e asiáticos, potencialmente terroristas, óbvio). Desde quando um homem que teve um bom pai faz um bom governante? Alguém casado com uma mulher bem articulada tirará os EUA da crise? Por que uma coisa estaria ligada à outra?

Outra “mensagem divina”: o muito comentado discurso de Michelle Obama no primeiro dia da Convenção. Encontrei um fórum sobre o assunto no site de um jornal inglês com a pergunta “O discurso de Michele te tocou? Você aprovou?”, ou algo similar. Havia comentários de britânicos e norte-americanos, e me alegrei em ler muitos discursos descontentes com a atual situação do governo. Mas havia comentários infelizes, que transparecem o enorme racismo que ainda há nos EUA e como os próprios americanos parecem encarar a situação como corriqueira. Um espertinho dizia que “os eleitores até podem dizer que irão votar em Obama, mas na realidade não conseguem votar em um negro”. E isso é normal? Não votar em Obama por ele ser negro é como votar nele apenas por ele ser negro! É o mesmo pensamento que faz alguém levar em consideração o discurso da esposa, o comportamento do pai ou o da mãe de um candidato na hora de votar. E digo uma coisa: se pensássemos assim, Lula nunca teria sido presidente.

A gota d’água foi W. Fico pensando como alguém pode fazer um filme sobre Bush sem ser imparcial. Afinal, após ler alguns comentários sobre o próprio num site sobre cinema, percebi que ou você o ama ou você o odeia, não existe apenas “agüentar” ou “suportar”. Esses extremos se representaram assim: o jovem de Nova Iorque, que estava presente durante os acontecimentos de 11/9; que viu seu pai e seus tios resgatarem sobreviventes entre os escombros; para quem Bush fez um belo discurso antes do Super Bowl, cheio de promessas nem tão sutis de vingança, e para quem Bush foi um herói, um justiceiro. Esse é o exemplo onde Bush vira um verdadeiro Rudolph Giuliani e “está no lugar certo, na hora certa”. Aproveita a oportunidade de transformar seu mandato pífio em algo maior que ele próprio; uma guerra para vingar o orgulho americano ferido.

O outro lado da moeda parece tão indignado com a existência de tal conceito “Bush é nosso herói” que apenas xingava e esperneava; talvez não quisesse dignificar tal ladainha com uma resposta.

Parece que muitos republicanos, ops (!), norte-americanos ainda utilizarão esse ato de crueldade para justificar a disseminação de mais crueldade.

Ah! Tem mais uma gota dessa água! A tentativa de atentado contra Obama que nunca foi tentada. Segundo o depoimento de um dos envolvidos, seu amigo não queria ver um presidente negro e pretendia matar o candidato. O resumo da ópera é que os EUA ainda não estão prontos para um presidente negro; preferem seguir com o mesmo discurso terrorista e “justiceiro” de Bush, agora em versão “herói de guerra”, mais séria e, me arrisco a dizer, mais culta (do que o Bush; não é lá grande elogio), também conhecido como John McCain. Ele me dá medo. Ele parece meio do mal. Mas os americanos gostam dessa figura “coronel texano”, percebe-se. Como Bill Clinton disse ontem em seu (ótimo) discurso pró-Obama, será que os norte-americanos mostrarão sua força pelo poder de seu exemplo, ou pelo exemplo de seu poder?

 

Publicado em:  on Agosto 28, 2008 at 11:55 am Comentários (1)